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25.1.06

Eleições na Palestina

A primeira pesquisa oficial deu ao Fatah mais de 46% dos votos e 39.5% ao Hamas.

Os resultados devem ser anunciados dentro de dias.

O correspondente da BBC em Ramallah, James Reynolds, diz que seja qual for o resultado, é claro agora que o Fatah não é mais a única força política dentro da Palestina.

Exemplo

Tanto o Hamas como o Fatah disseram que podem considerar um governo de coalizão.

Correspondentes no Oriente Médio enfatizam, porém, que o sistema eleitoral imprevisível e a grande margem de erro nas pesquisas de boca-de-urna dificultam a realização de prognósticos por enquanto.

O comitê eleitoral afirma que 73% dos 1,5 milhão de eleitores registrados votaram – o índice foi de 70,6% na Cisjordânia e, em Gaza, 76,8%.

Observadores internacionais disseram que o pleito seguiu tranquilo e seria um exemplo para o mundo árabe.

As urnas foram fechadas às 19h locais (15h em Brasília), após 12 horas de votação.

Em Jerusalém, onde os palestinos votaram em agências do correio, o comitê eleitoral determinou uma extensão em duas horas no prazo de votação, já que ainda havia filas e temia-se alta abstenção na cidade.

Hamas

Esta foi a primeira vez que o Hamas – responsável por dezenas de atentados contra Israel mas popular por prestar assistência social aos palestinos – participou de uma eleição parlamentar.

O primeiro-ministro em exercício de Israel, Ehud Olmert, enalteceu as eleições, mas fez um apelo aos palestinos para que não elejam "extremistas", em uma referência ao Hamas.

A participação dos militantes é vista com preocupação por Israel, Estados Unidos e União Européia, que consideram o Hamas uma organização terrorista responsável pelas mortes de civis.

Israel e Estados Unidos já indicaram que não se relacionarão com um governo que incluir membros do Hamas.

Respondendo à pergunta sobre uma possível coalizão de governo com o Hamas, Abbas disse que essa possibilidade existe.

"Se o Hamas estiver pronto para avançar, eles são muito bem-vindos", disse ele a um repórter da agência palestina Ramatan.

"Se eles (Hamas) quiserem ser parceiros na obtenção de nossos objetivos, é claro."

"Mas, se eles quiserem ser parceiros subversivos, não seria uma parceria de verdade."

O Hamas diz que deixou de lado a sua aversão ao Parlamento palestino para ter a chance de converter o seu apoio popular em uma força política formalmente constituída.

O correspondente da BBC diz que isso pode ser um sinal de que o grupo tenha se tornado mais pragmático, mas não que pretenda abandonar as suas armas.

Um dos principais líderes e candidatos do Hamas, Mahmoud Al-Zahar, disse ao depositar o voto na cidade de Gaza que o grupo não vai abandonar as armas agora que está entrando na política.

“O Hamas não vai se transformar em um partido político. O Hamas joga em todos os campos e vai continuar jogando no campo da resistência (armada a ocupação de Israel)”, disse Al Zahar.

O Hamas não reconhece Israel como Estado e já lançou centenas de ataques contra israelenses em Israel e nos territórios ocupados.


fonte: BBC