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27.12.05

Revolução arquitetônica




Imagine uma casa em que você entra e sai, estaciona o carro na garagem e até aprecia a vista da janela? Imagine agora que nada disso existe ainda, além do que foi projetado em computador por um arquiteto. Não um arquiteto comum, habituado apenas aos programas tradicionais de cálculo e planta, mas um profissional diferente que interage com os recursos da informática e é capaz de criar as mais ousadas e modernas formas, muito antes de elas existirem de verdade. Um projeto especial da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de Brasília (UnB), está fazendo exatamente isso: provocando a criatividade dos profissionais, para que o computador deixe de ser um acessório burocrático, para se transformar em instrumento de inspiração.

Segundo o arquiteto Neander F. Silva, coordenador do projeto – que inclui um curso de especialização semipresencial para arquitetos -, a utilização dos programas de computador está se modernizando e é fundamental que a proposta pedagógica nessa área também seja atualizada. Neander é PhD em Projetos de Arquitetura Assistidos por Computador, pela Strathclyde University, Escócia, Reino Unido, e chefe do Departamento de Projeto da FAU/UnB.

“Muitos arquitetos ainda usam o computador, como uma prancheta eletrônica”, compara. Uma de suas principais defesas é a de que a informática deve ajudar a pensar o projeto e não limitar o potencial criativo dos profissionais.

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Informática ajudou Norman Foster no projeto do Swiis Re Headquarters
Entre os exemplos de arquitetos famosos que usam e abusam dessa nova tendência da arquitetura, ele cita o norte-americano Peter Eisenman, o britânico Norman Foster e o grupo Coop Himmelblau, autores de projetos surpreendentes aos olhos dos mais tradicionalistas e até dos modernistas. Foster, usando apenas os recursos do computador, desenvolveu a arquitetura do prédio do Swiss Re Headquarters, em Londres, uma espécie de “kibe” gigante de dimensões únicas, atualmente em fase de conclusão. A construção deste edifício seria inviável sem o auxílio do computador. A obra começou em 1997.

O projeto do grupo Coop Himmelblau, chamada Confluences, em Lyon (França), previsto para terminar em 2007 (a construção está em andamento há três anos), também remete aos mesmos referenciais futuristas e parece ser a materialização de um sonho de Ridley Scott, antes de Blade Runner. Esse também é resultado de uma simbiose arquitetônica entre criador e máquina, que, aos poucos, vai ganhando formas concretas a partir da multidimensionalidade da tela do computador.

“Já estamos observando os primeiros resultados desse novo projeto didático da arquitetura”, explica Neander. A primeira experiência com profissionais foi no curso de Arquitetura assistida por computador, promovido pela FAU, em 1998. De lá para cá, mais de 50 profissionais do Brasil e do exterior já participaram e hoje usam o computador como complemento à capacidade criativa na elaboração de projetos. “Fica mais fácil visualizar e explicar o projeto ao cliente, que, na maioria das vezes, não compreende uma planta baixa e todas aquelas medidas complicadas para o leigo”, completa o professor.

Para ele, os cursos de graduação devem incorporar as novas tendências e exigências do mercado, para que o Brasil volte a ocupar uma posição de destaque no universo da modernidade arquitetônica, a partir de profissionais melhor preparados. Quanto ao tipo de equipamento e de programas capazes de cumprir esse papel de instrumento de trabalho, Neander lembra que não é preciso investir muito alto. “O arquiteto Norman Foster, por exemplo, usa dois sistemas bastante comuns: o MicroStation e o Excell, que foram integrados e geraram recursos suficientes para elaborar os projetos virtuais, como no caso do "kibe", explica.

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Ousadia futurista é a marca registrada do Confluences, em Lyon (França)
No último curso promovido pela Faculdade de Arquitetura da UnB, foi proposta a simulação de um projeto para o Centro de Artes Eletrônicas, em uma área desocupada na entrequadra norte 206/207. Os resultados, segundo o professor, surpreenderam pela sofisticação e adequação ao uso do potencial da informática.

A próxima novidade é que o próximo curso será oferecido, pela primeira vez, em sistema modular, semi à distância, graças aos avanços tecnológicos que permitem conferências entre professores e alunos em tempo real, incluindo a orientação da parte gráfica do projeto em desenvolvimento. Isto permitirá que pessoas residentes em outros estados e em outros países latinos, participem do curso sem precisar mudar para Brasília. Eles terão que vir a Universidade apenas uma vez por mês para as aulas presenciais (quarta, quinta e sexta, à noite, e sábado, durante o dia). Desta forma, os alunos que trabalham também podem participar do curso.


CONTATO
Professor Neander Silva
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Programa de Pós-Graduação, pelos telefones: (61) 3307 2454 ou (61) 3307 2452
neander@unb.br
www.unb.br/fau/pos_graduacao/especializacao